Provérbios sobre o pão

O património cultural de Valongo encontra-se inscrito na pele simples e enxuta das suas gentes ligadas à lousa e ao pão. Cada marca um momento, cada vida um alforge, recheado de experiências e sabedoria, herdados e preservados à sombra das noites e à luz dos dias. Baila em pontas, de boca em boca, sob a forma abrilhantada de provérbios, dizeres, ditados, lengalengas populares, histórias … .
Surgiu o propósito de deles fazer registo, abrindo-lhes portas à posteridade, pelo que se publica agora uma compilação, honrando e alicerçando o inegável valor destes dizeres populares sobre o pão e o biscoito, ou elementos relacionados com os mesmos.

Segue então, provérbios sobre o pão:

• Janeiro molhado, se não cria o pão, cria o gado.
• Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o gado.
• Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.
• Abril frio: pão e vinho.
• Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.
• Quem em Maio relva, não tem pão nem erva.
• A chuva de S. João, bebe o Vinho e come o Pão.
• Chuva de S. João talha o vinho e não dá pão.
• No S. João, a sardinha pinga no pão.
• Chuva de ascensão dá palhinhas e pão.
• A chuvinha da Ascensão todo o ano dará pão.
• Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.
• Ano de nevão, ano de pão.
• O vento suão cria palha e pão.
• A água de nevão dá pão; a do trovão em parte dá e em parte não.
• Em ano geado, não há pão dobrado.
• A chover e a fazer sol, e as bruxas no farol a comer pão mole.
• Ano de corrilhão, ano de pão.
• Ano de muito gaimão, ano de pão.
• Ano de rosas, ano de pão.
• Terra branca não dá bom pão.
• Terra de gramão, terra de pão.
• Terra negra dá bom pão.
• Trigo centeioso, pão proveitoso.
• Trigo na eira, pão na masseira.
• Bom grão fará bom pão.
• Deus dá o pão, mas não amassa a farinha.
• A esperança é o pão dos infelizes.
• Ao bom amigo, com teu pão e teu vinho.
• Dinheiro compra pão, mas não compra gratidão.
• Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
• Nem mesa sem pão, nem exército sem capitão.
• Quem dá o pão, dá a educação.
• Dinheiro compra pão, não compra gratidão.
• Ganhar o pão com o suor do seu rosto.
• Nem só de pão vive o homem.
• A educação é tão precisa como pão para a boca.
• Beleza e formosura não dão pão nem fartura.
• Pão proibido abre o apetite.
• Pão que sobre, Carne que baste e Vinho que falte.
• Pão alheio, custa caro.
• Pão quente, nem a são nem a doente.
• Pão mole depressa se engole.
• Pão mole, a rir se engole.
• Pão proibido abre o apetite.
• Pão quente faz mal ao ventre.
• Pão achado não tem dono.
• Pão afatiado não farta rapaz esfaimado.
• Pão comido, pão esquecido.
• Pão de centeio só é bom quando é alheio.
• Pão grande não acha freguês.
• Pão tremês, não o comas nem o dês.
• Pão de centeio, melhor é no ventre que no seio.
• Pão e vinho e parte no Paraíso.
• Pão de padeira, não farta nem governa.
• Pão nascido, nunca perdido.
• Pão de caldo, filhós de manteiga.
• Pão quente, muito na mão e pouco no ventre.
• Pão mexido é pão crescido.
• Pão e queijo, mesa posta é.
• Pão e roupa nunca carregou ninguém.
• Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que espirre para os olhos.
• Pão comeste, companhia desfeita.
• Pão e vinho, andam caminho.
• A pão duro, dente agudo.
• Para a fome não há mau pão.
• À boa fome, não há mau pão.
• À falta de pão, até migalhas vão.
• Andar a pão emprestado, fome põe.
• Quem tem fome, sonha com pão.
• Mais vale pão duro que nenhum.
• Mais vale pão duro, que figo maduro.
• À falta de pão, boas são tortas.
• Quanto mais barato estiver o pão, melhor canta o coração.
• Queijo com pão faz homem são.
• Tal é o pão, tal é a sopa.
• Dores com pão são menores.
• Comer sem pão é comer de lambão.
• Vinho pela cor, pão pelo sabor.

Recolha: Confreira Helena Esteves Lobo