{"id":1061,"date":"2017-10-27T14:47:02","date_gmt":"2017-10-27T13:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/?p=1061"},"modified":"2019-02-16T12:04:40","modified_gmt":"2019-02-16T11:04:40","slug":"os-padeiros-e-o-seu-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/2017\/10\/27\/os-padeiros-e-o-seu-trabalho\/","title":{"rendered":"Os padeiros e o seu trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Valongo, terra de P\u00e3o e de Biscoitos, sustenta desde h\u00e1 s\u00e9culos a fama e o proveito da alta qualidade destes seus produtos. Fama e proveito que sempre foram atribu\u00eddas \u00e0 superior qualidade das farinhas, que, com dedica\u00e7\u00e3o e saberes transmitidos entre gera\u00e7\u00f5es, se produziam nos in\u00fameros moinhos que preenchiam as margens do rio Ferreira, e \u00e0 boa qualidade da \u00e1gua que dos seus solos era extra\u00edda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, possuidores da excel\u00eancia dos principais (\u00e0 \u00e9poca \u00fanicos) elementos do p\u00e3o, os muitos padeiros que sempre existiram em Valongo, tornavam este principal alimento apetecido e procurado pelas gentes das terras circundantes, nomeadamente a cidade do Porto, onde, no dorso de mulas ou em carros de bois, os levavam \u00e0s clientelas que, mais ou menos fixas, os adquiriam e consumiam com muito agrado, dando-lhes assim a fama que perdura at\u00e9 aos nossos tempos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As padarias que existiam em Valongo, todas de \u00edndole familiar, proliferavam nesta terra em sucess\u00e3o constante. Normalmente e em grande parte, os filhos dos padeiros namoravam e casavam com as filhas de outros padeiros, e assim, procurando a sua independ\u00eancia ap\u00f3s o casamento e por serem conhecedores da profiss\u00e3o, quando casavam, instalavam uma nova padaria, permitindo assim que no s\u00e9culo dezoito existissem em Valongo mais de duzentas padarias. Este costume de casamentos entre jovens da mesma \u00e1rea profissional prolongou-se at\u00e9 ao s\u00e9culo vinte, porque ainda hoje h\u00e1 em Valongo muitos descendentes de casais desse g\u00e9nero de uni\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O fabrico do p\u00e3o foi sempre um trabalho manual, \u00e1rduo e de grande esfor\u00e7o. A \u00fanica m\u00e1quina que existia, porque era indispens\u00e1vel para o fabrico da regueifa, era um \u00absovador\u00bb. M\u00e1quina feita de madeira, com dois rolos tamb\u00e9m de madeira, acoplados a umas rodas dentadas que se moviam manualmente por uma manivela. Quanto ao restante processo de fabrico, desde o amassar, confecionar, enfornar e desenfornar, era todo exercido com a for\u00e7a bra\u00e7al. Mesmo o sovador, que nessa \u00e9poca se destinava s\u00f3 ao fabrico da regueifa, era mais usado pela altura das festas, nomeadamente a P\u00e1scoa, per\u00edodo em que a regueifa era muito fabricada e consumida. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os tipos ou variedades de p\u00e3o que se fabricavam em Valongo nessa \u00e9poca eram escassos e a regueifa, por ser um p\u00e3o requintado e mais caro, era s\u00f3 confecionado e consumido por altura das festas, nomeadamente pela P\u00e1scoa, servindo at\u00e9 como folar que, em grande formato, os padrinhos ofereciam aos seus afilhados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De uma forma geral, todas as fam\u00edlias de padeiros tinham v\u00e1rios filhos, quatro, cinco ou mais, e, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, todos se dedicavam \u00e0 atividade que a fam\u00edlia exercia, conjuntamente com algumas criadas e criados internos que era normal todos terem, e que viviam na casa dos patr\u00f5es em forma familiar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Porque todos os padeiros tinham animais, mulas ou bois, possu\u00edam sempre alguns terrenos que cultivavam, sobretudo alimentos para os seus animais. Estes criados e criadas, para al\u00e9m ajudarem no fabrico do p\u00e3o, dedicavam-se mais \u00e0s lides da casa, elas, e eles, aos trabalhos agr\u00edcolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesses tempos idos, o p\u00e3o que os padeiros de Valongo fabricavam era do tipo \u00abs\u00eamea\u00bb, p\u00e3o grande, com um quilo ou mais por unidade, que proporcionava uma produ\u00e7\u00e3o mais volumosa e com melhores proveitos. Mas a partir do s\u00e9culo dezanove, diz-se, no per\u00edodo das invas\u00f5es francesas, come\u00e7ou a fabricar-se um tipo de p\u00e3o mais pequeno, que causava uma menor produtividade em termos de volume fabricado. Por essa raz\u00e3o nem todos os padeiros de Valongo aderiram a este tipo de fabrico recusando-se mesmo a modificar a sua normal forma de trabalho, tendo, segundo descri\u00e7\u00e3o antiga, nascido da\u00ed a fama de Valongo ser a <strong>TERRA DO GRANDE<\/strong><\/span><span style=\"line-height: 1.71429; font-size: 1rem;\">, <\/span>pelo formato tradicional do seu p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho de padeiro, embora fosse rent\u00e1vel &#8211; porque todos os padeiros viviam bem, por ser um trabalho noturno, era um trabalho pesado e insano porque n\u00e3o permitia uma viv\u00eancia normal a quem o exercia. Os padeiros come\u00e7avam o seu per\u00edodo de trabalho normal, entre as dez e onze horas da noite, trabalhavam toda a noite e at\u00e9 cerca do meio- dia do dia seguinte. Almo\u00e7avam, deitavam-se para descansar at\u00e9 oito ou nove horas da noite, jantavam e recome\u00e7avam de novo o seu trabalho, que ao s\u00e1bado era a dobrar porque ao domingo n\u00e3o havia p\u00e3o fresco. Dormiam de noite apenas de s\u00e1bado para domingo, o que n\u00e3o dava tempo para gozar algum outro divertimento. Depois de irem \u00e0 missa, tinham apenas a tarde livre para algum conv\u00edvio, mas muitos aproveitavam essa tarde para mais um per\u00edodo de descanso, recome\u00e7ando tudo de novo no in\u00edcio da noite como sempre. Como se v\u00ea era uma profiss\u00e3o de sacrif\u00edcio com uma forma de trabalho que n\u00e3o permitia uma viv\u00eancia saud\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os tempos eram outros, bem o sabemos. N\u00e3o havia leis nem hor\u00e1rios de trabalho para ningu\u00e9m, tudo funcionava de forma livre. Os padeiros trabalhavam de noite, mas os outros trabalhadores tamb\u00e9m trabalhavam de sol a sol. Felizmente, hoje tudo \u00e9 diferente, at\u00e9 mesmo o trabalho dos padeiros que, com processos de trabalho mecanizados, bem mais simples e de menor esfor\u00e7o, j\u00e1 n\u00e3o precisam de trabalhar de noite, embora trabalhem ao domingo para nos proporcionarem a todos p\u00e3o fresco e de qualidade todos os dias da semana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ant\u00f3nio Aguiar<\/span><\/em><\/p>\n ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valongo, terra de P\u00e3o e de Biscoitos, sustenta desde h\u00e1 s\u00e9culos a fama e o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[46],"tags":[49,56,47,55,45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061"}],"collection":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1061"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1090,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061\/revisions\/1090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}