{"id":1399,"date":"2023-12-02T21:26:11","date_gmt":"2023-12-02T20:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/?p=1399"},"modified":"2024-11-10T20:16:33","modified_gmt":"2024-11-10T19:16:33","slug":"antigas-tradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/2023\/12\/02\/antigas-tradicoes\/","title":{"rendered":"Antigas tradi\u00e7\u00f5es de Valongo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ANTIGAS tradi\u00e7\u00f5es de Valongo\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>(Tradi\u00e7\u00f5es ligadas ao p\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Valongo, terra de p\u00e3o e de biscoitos, como qualquer outra terra, no decorrer dos tempos e de forma natural, criou os seus costumes e as suas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Algumas dessas tradi\u00e7\u00f5es referentes a estes tipos de atividade, p\u00e3o e biscoitos, foram vividas, sustentadas e passadas de boca em boca, tanto entre estas fam\u00edlias dos padeiros como entre outras fora destes setores. Mas com o passar do tempo e a normal evolu\u00e7\u00e3o social, estas tradi\u00e7\u00f5es foram perdendo o seu uso, e como \u00e9 normal, entrando no rol do desuso e do esquecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As poucas pessoas mais antigas e que ainda existem e se lembram, porque assistiram e viveram muitas dessas tradi\u00e7\u00f5es j\u00e1 perdidas, podem e devem registar e passar para o futuro aquilo que conheceram, para que num qualquer momento futuro, talvez possam ser investigadas, recordadas e reavivadas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Faziam parte destas tradi\u00e7\u00f5es perdidas, a grande regueifa, dois, tr\u00eas ou at\u00e9 quatro quilos, que na P\u00e1scoa, os padrinhos ofereciam aos seus afilhados, como folar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No dia de P\u00e1scoa, sobretudo da parte da tarde, viam-se passar pelas ruas de Valongo crian\u00e7as e adolescentes acompanhadas pelos pais, com uma grande regueifa enfiada no bra\u00e7o, vindos da casa dos seus padrinhos, tanto mais felizes quanto maior fosse a sua regueifa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os padeiros de Valongo, para al\u00e9m de serem padrinhos de v\u00e1rios familiares, porque as suas fam\u00edlias eram extensas, e porque tinham sempre trabalhadores (criados\/as) de Valongo e de outras terras vizinhas, de uma forma geral, gente muito humilde, por vezes, tamb\u00e9m eram padrinhos de alguns filhos desses seus trabalhadores, ou seus familiares, que, pela sua condi\u00e7\u00e3o social, muito agradeciam esta oferta de regueifa, porque muitos, provavelmente, talvez fosse a \u00fanica vez em cada ano que comiam esse tipo de p\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Era tamb\u00e9m uma tradi\u00e7\u00e3o no s\u00e1bado de aleluia, v\u00e9spera de P\u00e1scoa, alguns padeiros oferecerem aos filhos dos seus clientes habituais, uma \u00abregueifinha de cornos\u00bb, que era uma pequena argola achatada feita com massa da regueifa, recortada no bordo, a que se dava esse nome. Vi e usufrui deste bonito costume em casa da minha av\u00f3, e conheci outros padeiros que tamb\u00e9m praticavam essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Pelo Carnaval e na v\u00e9spera do dia de Todos os Santos, era costume, pelo menos nas casas dos padeiros, comer-se a Sopa Seca, que \u00e9 um doce feito \u00e0 base de p\u00e3o, com ovos a\u00e7\u00facar e canela, tipo rabanadas, mas que em vez de ser um doce frito, \u00e9 assado no forno, feito em ca\u00e7arola de barro. Neste dia, v\u00e9spera do dia de Todos os Santos, tamb\u00e9m era normal os padeiros de Valongo, e at\u00e9 algumas outras fam\u00edlias, fazerem \u00e0 noite, uma refei\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 ceia da noite de Natal. Dizia-se mesmo que era a primeira consoada do ano.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Todas estas tradi\u00e7\u00f5es foram-se desvanecendo com o decorrer do tempo, e hoje, apenas um muito pequeno n\u00famero de fam\u00edlias mant\u00e9m esta tradi\u00e7\u00e3o. Apenas onde ainda existem algumas pessoas antigas, oriundas de antigos padeiros ou seus familiares, que gostam de recordar estas mem\u00f3rias dos seus tempos de meninice, teimando assim em manter estas ra\u00edzes vividas no passado. Seria muito interessante que esta tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga, voltasse a renascer.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00a0 A Sopa Seca, talvez por ser um doce, ser\u00e1, provavelmente, a tradi\u00e7\u00e3o de Valongo referente ao p\u00e3o, que manteve alguma const\u00e2ncia nos costumes de algumas fam\u00edlias, n\u00e3o s\u00f3 usada nas tradicionais festas indicadas, mas at\u00e9 com alguma regularidade, em outros ocasionais momentos e festas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se conhecem registos hist\u00f3ricos onde possamos alicer\u00e7ar qualquer afirma\u00e7\u00e3o ou descri\u00e7\u00e3o desta muita antiga tradi\u00e7\u00e3o, quando, como e porque se iniciou, ou mesmo quaisquer tipos de receitas que ent\u00e3o eram usadas. O que se sabe \u00e9 que esta tradi\u00e7\u00e3o vem de longe no tempo, e foi passada de boca em boca, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, mais nas fam\u00edlias de padeiros, e que chegou at\u00e9 aos dias de hoje.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim, ningu\u00e9m pode garantir que a sua receita atual ou forma de execu\u00e7\u00e3o, \u00e9 a original. A base ser\u00e1 provavelmente a indicada, mas a forma atual \u00e9 ao gosto de cada um ou \u00e0 forma que algum familiar antepassado teria transmitido. O que importa \u00e9 que este doce \u00e9 feito \u00e1 base de p\u00e3o e oriundo dos antigos padeiros de Valongo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De uma forma geral, os padeiros antigos, para poderem levar os seus produtos at\u00e9 outras terras, tinham animais, normalmente Mulas ou Machos e ou bois, e como tinham de alimentar esses animais, alguns, eram tamb\u00e9m lavradores que cultivavam campos de sua propriedade ou arrendados, necessitando assim de trabalhadores, tanto para os trabalhos agr\u00edcolas, como para a sua ind\u00fastria, e at\u00e9 nos trabalhos dom\u00e9sticos. Os padeiros, para al\u00e9m de normalmente serem fam\u00edlias com v\u00e1rios filhos que todos trabalhavam em casa, recorriam sempre a outros trabalhadores (criados\/as) de Valongo ou de outras terras vizinhas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Hoje diz-se que este doce foi criado para aproveitamento de sobras de p\u00e3o. Pessoalmente, n\u00e3o julgo que esta vers\u00e3o seja exata, porque p\u00e3o, era o que mais havia nas casas dos padeiros. Nos s\u00e9culos XVIII, XIX ou at\u00e9 mesmo no in\u00edcio de s\u00e9culo XX, pelo que conheci, numa grande parte das casas de Valongo, infelizmente, n\u00e3o haveria sobras de p\u00e3o, talvez at\u00e9, em muitas dessas casas, nem migalhas houvesse de sobra. No entanto, numa ou noutra casa sem ser de padeiros, poderia haver algumas sobras e a\u00ed sim, poderia ser uma forma de aproveitamento de p\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Talvez, a sua maior divulga\u00e7\u00e3o por outras fam\u00edlias de Valongo, e de outras terras vizinhas, tenha sido feita pelas \u00abcriadas\u00bb internas que todos os padeiros tinham como servi\u00e7ais que, por verem as patroas fazerem este doce simples, aprenderam, e assim o divulgaram nas suas casas. A\u00ed sim, talvez fosse mesmo para aproveitamento de algumas sobras de p\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As receitas que se conhecem, simples, mas sempre \u00e0 base de p\u00e3o, podem ser mais ou menos ricas conforme os ingredientes que nelas s\u00e3o incorporados: p\u00e3o, ovos, a\u00e7\u00facar, canela, \u00e1gua ou em alguns casos usando leite em vez de \u00e1gua. A base principal \u00e9 sempre o p\u00e3o, a\u00e7\u00facar, canela e algo que lhe permita humidade que possibilite formar um doce com uma consist\u00eancia amolecida. Cada um e com base no que lhe foi transmitido, usa a sua f\u00f3rmula cujo resultado, embora com muitas semelhan\u00e7as, marca sempre as sua diferen\u00e7as.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com a cria\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00e3o da Confraria do P\u00e3o, da Regueifa e do Biscoito de Valongo, que tem por lema divulgar o p\u00e3o, seus atributos, benef\u00edcios e possibilidade de diversificar o seu consumo, em boa hora se criou e lan\u00e7ou o concurso ou festa da Sopa Seca, contribuindo assim para o reavivar e incrementar esta t\u00e3o antiga e deliciosa sobremesa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Hoje podemos dizer que esta iguaria rejuvenesceu e est\u00e1 de novo implantada na sociedade valonguense e n\u00e3o s\u00f3, como tem sido provado pela aflu\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o que este concurso ou festa anual tem demonstrado, e pelo conhecimento que se vai tendo, e que a sua divulga\u00e7\u00e3o tem provocado.<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">\n<p><strong><br \/>\nMar\u00e7o de 2020<br \/>\n<\/strong><strong style=\"font-size: 1rem;\">Ant\u00f3nio Aguiar<\/strong><\/p>\n<\/div>\n ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTIGAS tradi\u00e7\u00f5es de Valongo\u00a0 (Tradi\u00e7\u00f5es ligadas ao p\u00e3o) Valongo, terra de p\u00e3o e de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[46],"tags":[49,56,47,55,45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1399"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1473,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1399\/revisions\/1473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/confrariadopaodaregueifaedobiscoitodevalongo.com\/confraria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}